No desequilíbrio a beira do abismo
Subitamente
O lótus brota
Subitamente
O lótus brota
No desequilíbrio a beira do abismo
O lótus brota
No desequilíbrio a beira do abismo
Subitamente
Rã
Salto
Poço
A cobra dorme entre as raízes do pinheiro
Um sonho e o movimento
Derruba o orvalho das galhadas
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
....poesia.....
A vida chama o homem a ser mais do que homem.
“Coma minha carne, beba meu sangue e sê eterno”
A carne da vida é feita de fatos e atos
todos indistintamente aceitos
Incompleto é aquele que refuga diante do sofrimento
E julga o bem e o mal da vida
Como sendo remédio e veneno
Tolo, há apenas uma substância
Que cura e mata simultaneamente
Contém os cinco sabores
Todos feitos para tua língua
O sangue são os pensamentos, emoções
Profundo oceano escuro e oscilante
Ventre-túmulo afogante e navegável
Todo perigo e amplitude
Túmulo do homúnculo
Ventre do mais que homem
Que ali terá guelras e nadadeiras
E será intimo de cada pedra, seixo
Coral, arraia, alga e água-viva
Cá fora terá asas e será intimo
Das águias e do barulho dos trovões
E terá pernas fortes e será o senhor da terra
A eternidade se resume no hoje......
O que teme então?
Pegue o vazio que erode teu ventre
E o plenifique com areia e mar.
“Coma minha carne, beba meu sangue e sê eterno”
A carne da vida é feita de fatos e atos
todos indistintamente aceitos
Incompleto é aquele que refuga diante do sofrimento
E julga o bem e o mal da vida
Como sendo remédio e veneno
Tolo, há apenas uma substância
Que cura e mata simultaneamente
Contém os cinco sabores
Todos feitos para tua língua
O sangue são os pensamentos, emoções
Profundo oceano escuro e oscilante
Ventre-túmulo afogante e navegável
Todo perigo e amplitude
Túmulo do homúnculo
Ventre do mais que homem
Que ali terá guelras e nadadeiras
E será intimo de cada pedra, seixo
Coral, arraia, alga e água-viva
Cá fora terá asas e será intimo
Das águias e do barulho dos trovões
E terá pernas fortes e será o senhor da terra
A eternidade se resume no hoje......
O que teme então?
Pegue o vazio que erode teu ventre
E o plenifique com areia e mar.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Quando sentei ali era só um lamaçal
Quando sentei ali era só um lamaçal
Mas estava vivo e surgiram flores
E surgiram flores vestidas por Deus
Nem Salomão em toda sua glória.....
Mesmo arrancadas pelos homens
Comidas pelos insetos
Soterradas pelas cidades
Vestidas por Deus
Mas estava vivo e surgiram flores
E surgiram flores vestidas por Deus
Nem Salomão em toda sua glória.....
Mesmo arrancadas pelos homens
Comidas pelos insetos
Soterradas pelas cidades
Vestidas por Deus
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Sintética
Estou enamorado dos grandes desertos, das infinitas dunas semelhantes em cor e calor às omoplatas da mulher.
De onde, de súbito, brotam borboletas de um oásis de desespero e liberdade.
De onde, de súbito, brotam borboletas de um oásis de desespero e liberdade.
sábado, 22 de agosto de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Antisoneto
Você aqui nesta civilização
Vivendo em alta resolução
Suas relações digitais
Tudo lindo tudo pós
Tudo amarrado entre nós
Seres materio-espirituais
Mas aqui fica um ruído
Um sentimento valvulado
Transtornado transistorizado
Ultra-passado e puído
Com cheiro de mato, de sais
De coisas (que nojo) naturais
Que seria amor antigamente
No tempo que tinha gente
Vivendo em alta resolução
Suas relações digitais
Tudo lindo tudo pós
Tudo amarrado entre nós
Seres materio-espirituais
Mas aqui fica um ruído
Um sentimento valvulado
Transtornado transistorizado
Ultra-passado e puído
Com cheiro de mato, de sais
De coisas (que nojo) naturais
Que seria amor antigamente
No tempo que tinha gente
terça-feira, 18 de agosto de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
poesia novamente
Em meu coração sou outro
Que parcamente aparece na superfície
Apenas em vislumbres na curvas de teus ombros
E não vês, apenas o peso sentes.
Em breve, porém, tuas omoplatas se farão fortes
e serei apenas memória, fotografia desbotando
um penteado fora de moda
do qual te rirás.
Em meu coração sou outro
Um bárbaro com ranger nos dentes
Um sacerdote de vaidades
Uma paradoxal criança idosa
Com pênis ardente
E ampla solidão entre os braços.
Mas a quem importa quem sou?
Se minha aparência gritante
Em espalhafatosa mediocridade
Está estampada em todas as testas
Nas serpentes de todas as línguas
No esquecimento de uma só pessoa
Mas a quem importa quem sou?
Se o que sou nada resolve
Ser ou não ser não é a questão
É uma imposição
A jaula justa onde um felino magro
Anda para lá e para cá.
Que parcamente aparece na superfície
Apenas em vislumbres na curvas de teus ombros
E não vês, apenas o peso sentes.
Em breve, porém, tuas omoplatas se farão fortes
e serei apenas memória, fotografia desbotando
um penteado fora de moda
do qual te rirás.
Em meu coração sou outro
Um bárbaro com ranger nos dentes
Um sacerdote de vaidades
Uma paradoxal criança idosa
Com pênis ardente
E ampla solidão entre os braços.
Mas a quem importa quem sou?
Se minha aparência gritante
Em espalhafatosa mediocridade
Está estampada em todas as testas
Nas serpentes de todas as línguas
No esquecimento de uma só pessoa
Mas a quem importa quem sou?
Se o que sou nada resolve
Ser ou não ser não é a questão
É uma imposição
A jaula justa onde um felino magro
Anda para lá e para cá.
domingo, 16 de agosto de 2009
a rebeldia real

Há muito que admiro John Lennon e o tenho como um dos maiores gênios do século XX. Antes de mais nada me encantava o músico poeta, que em conjunto com o parceiro McCartney praticamente inventaram a música popular como a conhecemos. E como é fácil amar estes dois ingleses por isto, criadores de melodias tão simples que parecem tradicionais e antigas aos nossos ouvidos, além de vanguardismos que mesmo 40 anos depois ainda soam inovadores. As letras com pequenos contos literariamente perfeitos ou cartas abertamente confessionais.
Depois aprendi a admirar a rebeldia de Lennon. Homem fruto dos restos do Inglaterra pós-Segunda Guerra, promoveu uma revolução dos costumes que pôs o ocidente em uma nova ordem, na qual os fraques e cabelos gomalinados deram lugar à extravagância no vestir, no falar e no pensar. Homens de cabelos longos, com batas multicoloridas estudando misticismos diversos, buscando novas alternativas de vida. E a suprema rebeldia de John foi ver que esta nova ordem hippie também era um sistema e que a canonização dos Beatles era uma camisa-de-força que precisava ser rompida. E não tenhamos ilusões, embora seja fácil para o fãs culparem Yoko Ono pelo fim do conjunto, uma análise mais justa mostra que eles romperam por individualismo e por dinheiro. Sim, os pais do “paz e amor” se separaram por causas meramente materiais e Lennon teve a sabedoria de se rebelar contra isso.
Recentemente aprendi a ver a suprema rebeldia do “Herói da Classe Trabalhadora”. Ele poderia ser mais um beatle, um astro do rock repetindo seus sucessos em performances autolouvatórias ou se conformar com a hipocrisia de cantar as misérias do mundo mesmo sendo um milionário. Porém, ele queria a felicidade que encontrou a cuidar do filho e fazer pão. Ele obviamente fez mais músicas e arte em geral, mas soube que o foco de sua realização pessoal estava em casa. Não tem como não ter como ídolo um sujeito destes.
sábado, 15 de agosto de 2009
Relendo Joseph Campbell
Nos sonhos de crianças toda a mitologia se refaz na dança do cornífero
Que traz, verde e pedras, a fertilidade vermelha do mundo
Da mulher perfeita de pernas abertas e cabeça pensante
Alimento da vida e morte
Búfalos e bisões
Bagas e tubérculos
São corpos de delito caídos das estrelas
Que enjaulamos em meias com babados vitorianos
E loirinhas de cabelos cacheados
Pequenos operários ensandecidos com pés velozes
São versões cubistas dos caçadores amputados
Sim, isto não tem sentido
E você pode ser quem quiser
Mas escolheu ser quem é
Que traz, verde e pedras, a fertilidade vermelha do mundo
Da mulher perfeita de pernas abertas e cabeça pensante
Alimento da vida e morte
Búfalos e bisões
Bagas e tubérculos
São corpos de delito caídos das estrelas
Que enjaulamos em meias com babados vitorianos
E loirinhas de cabelos cacheados
Pequenos operários ensandecidos com pés velozes
São versões cubistas dos caçadores amputados
Sim, isto não tem sentido
E você pode ser quem quiser
Mas escolheu ser quem é
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Como vencer a morte
Luta dia após dia após dia
Dos quatro aos oito anos
Reece Fleming sobreviveu à leucemia
Além dos médicos e dos desenganos
Mas quando o inevitável se fez feio
E a estrada, de repente, finita
Apenas um desejo lhe veio
Casar com a menina mais bonita
Pegou Elleanor Purgslove pela mão
e propôs casamento à coleguinha
teve festa, limosine e uma lição
Sobre uma vida menos mesquinha
E de tão feliz, menino casado
A alma grande criou asa
No dia seguinte voltou para casa
E foi aos céus, realizado
Dos quatro aos oito anos
Reece Fleming sobreviveu à leucemia
Além dos médicos e dos desenganos
Mas quando o inevitável se fez feio
E a estrada, de repente, finita
Apenas um desejo lhe veio
Casar com a menina mais bonita
Pegou Elleanor Purgslove pela mão
e propôs casamento à coleguinha
teve festa, limosine e uma lição
Sobre uma vida menos mesquinha
E de tão feliz, menino casado
A alma grande criou asa
No dia seguinte voltou para casa
E foi aos céus, realizado
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
...mais poema
Somos tão diferentes, mas quantas vezes encontrei coisas tuas em mim
Tuas mãos hoje escrevem este verso
E uma mulher me disse, certa vez, que eu olhava por teus olhos
Mas hoje tua maior herança é o silêncio
Ou a sabedoria de não sentir som nas coisas importantes
E ver coisas importantes nas simples
Tais como as épocas de colher as laranjas
E correr os caranguejos
Tuas mãos hoje escrevem este verso
E uma mulher me disse, certa vez, que eu olhava por teus olhos
Mas hoje tua maior herança é o silêncio
Ou a sabedoria de não sentir som nas coisas importantes
E ver coisas importantes nas simples
Tais como as épocas de colher as laranjas
E correr os caranguejos
Um poeminha.....
Infinitivo
Encontrar o super-homem no homem
No útero e no cérebro da mulher
Encontrar a vida na própria vida
Nos sinais fechados
Nas poças cheias de bichos
No repentino espontâneo das meninas
Nos jogos dos homens importantes
E dos que se julgam importantes
Descobrir que nada morre
E que tudo existe desde sempre
Amar o espírito sem depreciar a carne
Pois ambos são um
Tal como ar e vento
Gelo e água
Você e eu
Encontrar o super-homem no homem
No útero e no cérebro da mulher
Encontrar a vida na própria vida
Nos sinais fechados
Nas poças cheias de bichos
No repentino espontâneo das meninas
Nos jogos dos homens importantes
E dos que se julgam importantes
Descobrir que nada morre
E que tudo existe desde sempre
Amar o espírito sem depreciar a carne
Pois ambos são um
Tal como ar e vento
Gelo e água
Você e eu
Assinar:
Postagens (Atom)











