
Há muito que admiro John Lennon e o tenho como um dos maiores gênios do século XX. Antes de mais nada me encantava o músico poeta, que em conjunto com o parceiro McCartney praticamente inventaram a música popular como a conhecemos. E como é fácil amar estes dois ingleses por isto, criadores de melodias tão simples que parecem tradicionais e antigas aos nossos ouvidos, além de vanguardismos que mesmo 40 anos depois ainda soam inovadores. As letras com pequenos contos literariamente perfeitos ou cartas abertamente confessionais.
Depois aprendi a admirar a rebeldia de Lennon. Homem fruto dos restos do Inglaterra pós-Segunda Guerra, promoveu uma revolução dos costumes que pôs o ocidente em uma nova ordem, na qual os fraques e cabelos gomalinados deram lugar à extravagância no vestir, no falar e no pensar. Homens de cabelos longos, com batas multicoloridas estudando misticismos diversos, buscando novas alternativas de vida. E a suprema rebeldia de John foi ver que esta nova ordem hippie também era um sistema e que a canonização dos Beatles era uma camisa-de-força que precisava ser rompida. E não tenhamos ilusões, embora seja fácil para o fãs culparem Yoko Ono pelo fim do conjunto, uma análise mais justa mostra que eles romperam por individualismo e por dinheiro. Sim, os pais do “paz e amor” se separaram por causas meramente materiais e Lennon teve a sabedoria de se rebelar contra isso.
Recentemente aprendi a ver a suprema rebeldia do “Herói da Classe Trabalhadora”. Ele poderia ser mais um beatle, um astro do rock repetindo seus sucessos em performances autolouvatórias ou se conformar com a hipocrisia de cantar as misérias do mundo mesmo sendo um milionário. Porém, ele queria a felicidade que encontrou a cuidar do filho e fazer pão. Ele obviamente fez mais músicas e arte em geral, mas soube que o foco de sua realização pessoal estava em casa. Não tem como não ter como ídolo um sujeito destes.
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