segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Fan-fic do Hulk bem curtinha

Quando conheci o Bruce ficou a impressão não de um homem, mas de uma casca de árvores sendo levada pelo vento. O corpo miúdo de passos hesitantes, o rosto que pareceu nascer velho, com as rugas de mil preocupações e mil remédios. Mal saído da adolescência já era perito na hipocondria. “ Se hoje fizer sol, minha pressão vai abaixar. O remédio para pressão me ataca o estomago, o remédio do estômago não permite que eu coma direito, se eu não comer direito, vou ter que tomar o remédio para irritação da mucosa...” e assim ia.
Porém, quando o colocavam para resolver aquelas equações, ele se transformava. O giz parecia tomar vida entre seus dedos e o universo se decodificava como fosse um brinquedo. Não demorou pros militares ficarem de olho naquele potencial todo e tão logo ele se formou o enfurnaram em bases secretas pelo país, pelo que soube. O vi durante o mestrado e o doutorado, pois optei pela vida acadêmica e vi que o público nunca seria uma de suas qualidades. Apenas uma vez o convidei para ministrar uma palestra. Embora o assunto fosse interessante e Bruce o dominasse plenamente, eu digo, foi a coisa mais chata que eu vi na vida. A voz dele parecia ter um só tom, uma só modulação no mesmo ritmo arrastado pelas três horas mais longas que aqueles alunos já passaram.
Sobre o famoso “outro lado” do Bruce, só soube pelos jornais. Minto. Tive um deslumbre de que havia algo nele quando estávamos no segundo ano da faculdade. O Bruce se apaixonou por uma moça, Barbara Beakovitz. Nós éramos apenas dois nerds e não sabíamos como chamar a atenção das garotas. Certa noite, nós, os Caxias da sala ficamos conversando sobre como “chegar” nas moças e alguém falou em tomar uns drinks para tomara coragem.
Fomo no barzinho, onde a Barbara estaria e começamos a beber. Eu, com duas cervejinhas, já estava alto, pois era apenas um garoto. Mas o Bruce não. Começou a beber como um maníaco, talvez uísque ou vodka. E então completamente bêbado foi falar com a moça. Não sei o que ele disse, mas ela o empurrou assustada. Então ele gritou. Não era palavra alguma, apenas um urro. Jack Kahn, o quarterback que namorava a Barbara empurrou o pobre Bruce, para que ele saísse dali. O Banner, que não pesava nem 50 quilos, tentou socar o Jack que lhe deu um tapa. Assim mesmo, de mão aberta e o Bruce voou longe. Então ele, sem se levantar olhou Jack e Barbara. E então eu vi o Hulk naquele olhar. Sério. Não era apenas o orgulho ferido de um adolescente fracote ou a raiva imposta pelo álcool. Ali havia um ódio mais puro, apenas esperando o momento certo para explodir.

domingo, 30 de outubro de 2011

a hard day's night

Encolhido no umbigo
flutua alheio à realidade
se esconde do melhor amigo
num castelo de autopiedade

ela quer te ver aqui fora
bebendo a chuva da verdade
antes que ela vá embora
e a água seja só saudade

quantos e quantos anos
bebendo a própria bílis
a sonhar tolos sonhos

rompa a pele da iris
dos pensares tacanhos
e floresça a lis.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Fan-fic de He-Man e os Mestres do Universo

Tomado pelo saudosismo, decidi escrever uma história do He-Man. Procurei dar um clima menos galhofeiro à trama, mas o personagem é o mesmo que acompanhou minha infância. Confiram no link.

Espero que esteja bacana.

João

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Clapton is a man

Anteontem terminei de ler a autobiografia do Eric Clapton. O homem conseguiu subir ainda mais no meu conceito. Como ele é honesto! Sua visão sobre a música, o cenário artístico, seu vício em drogas, tudo é descrito de maneira objetiva, sem floreios ou glamourização. Ele não tem vergonha de demonstrar os erros cometidos, que muitos outros omitiriam de tornar público.

Outro aspecto a elogiar é a importância do sobrevivente. Sempre houve uma idealização dos artistas que morreram jovens devido a seus excessos, o famoso Clube do 27(Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones, Kurt Cobain e Amy Winehouse). Clapton gera admiração pelo oposto, por ter vivido tudo isto e superado, se tornando um homem amadurecido. Pelo traumático histórico familiar, por ter vivido na Swinging London, por ter sido idolatrado, pelo falecimento do filho, muitos fatos contribuíam para que Eric se tornasse mais uma vítima do vício e se entregasse. Apesar disto tudo , ele foi mais forte e está ai, tocando muito e cada vez melhor.

Parafraseando aquele grafite dos anos 60: Clapton é um Homem.