A primeira vez que vi o senhor,
parecia a idealização de um avô
o gesto manso, as mãos manchadas,
cabelos sem nenhuma cor.
Sob a luz do meio dia
o governante bruto de peito brônzeo
trovejante de ordens
e tempestades de caprichos.
Certa tarde o vi mendigo
mas sem o ar suplicante
um doce louco varrido
invisível entre as gentes
Quando bebo o vejo feminino
a me por para dormir
o gesto sem nenhuma aspereza
a voz sem nenhum ruido
Morto o verei menino
de olhos imensos
doce nos dentes de leite
e barro entre os dedos.



