terça-feira, 8 de março de 2011

Ao clero socialista

O cantor, musico popular conceituado
Dorme bem acomodado
Em suas idéias de esquerda
Por ser um bom cidadão iluminado
Chacoalha bandeira entusiasmado
Por uns líderes de merda

Acha que “burguês” é xingamento
Crente na religião marxista
Na dialética do paradoxo
Não vive neste momento
Por favor não me insista
Sou um humano ortodoxo

A história não pode ser prevista
Mas seus discos de ouro
Já estão contados
Sua “baby” na capa da revista
É musa do estouro
Dos milicianos contratados

Exilado na Europa ocidental
Vê em Cuba um paraíso
Onde não vai morar
O sorriso de creme dental
Dá um enfoque preciso
À retórica de porta de bar

Do debate da universidade
Onde não há um trabalhador
Mas se quer a revolução
Dos playboys em vaidade
Divisão de renda indolor
Só pra causar comoção

Nos professores e cocotas
Que se vêem em 1968
E querem mudar o mundo
Com gritos e idéias tortas
A democracia do coito
Interrompido, mas fecundo

De verdades absolutas
Mas não mexam no meu
Pois tenho de viver
Pregando as lutas
Do sonho que morreu
Na estrela a apodrecer

Pois a igualdade artificial
Justifica toda contradição
De meu palácio em Ipanema
No sobe e desce do elevador social
Bate meu coração
Pelo Che galã de cinema

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