domingo, 31 de janeiro de 2010
Elegia de alheiamento
A realidade está envolta em plástico-filme
E seus sons, cheiros e cores me nauseiam
A realidade está guardada na geladeira
E o prazo de validade expira logo
Pudera eu a consumir (ser consumido?)
Mas meu eu é puro fastio
E não reconhece nisto o alimento
E deixa o corpo num jejum sem dores
Ou heroísmo, apenas um leve cansaço
De quem lutou, ganhou e perdeu, todavia
Continua exatamente o mesmo
Estrangeiro
Só até no seio dos mais íntimos
Sempre uma ponta de desentendimento
Dentre os cotidianos o ausente
Máscara sobre máscara sobre máscara
Nem no espelho mais o rosto
Camuflado em meio às multidões
O observador perfeito, olhar
Que não interfere
O menino roto sentado a beira da estrada
Nada vende, não pede carona, a ninguém espera
Sentado a beira da estrada ( onde mais estaria?)
Passam caminhões, carros, bicicletas e gente
Gente, algo raro nestes dias......
Apenas sentado
Vê o veloz corvette a erguer poeira
Que cai quase no mesmo lugar
A continuar poeira
Mesmo que passem dez mil carros
Apenas sentado.
E seus sons, cheiros e cores me nauseiam
A realidade está guardada na geladeira
E o prazo de validade expira logo
Pudera eu a consumir (ser consumido?)
Mas meu eu é puro fastio
E não reconhece nisto o alimento
E deixa o corpo num jejum sem dores
Ou heroísmo, apenas um leve cansaço
De quem lutou, ganhou e perdeu, todavia
Continua exatamente o mesmo
Estrangeiro
Só até no seio dos mais íntimos
Sempre uma ponta de desentendimento
Dentre os cotidianos o ausente
Máscara sobre máscara sobre máscara
Nem no espelho mais o rosto
Camuflado em meio às multidões
O observador perfeito, olhar
Que não interfere
O menino roto sentado a beira da estrada
Nada vende, não pede carona, a ninguém espera
Sentado a beira da estrada ( onde mais estaria?)
Passam caminhões, carros, bicicletas e gente
Gente, algo raro nestes dias......
Apenas sentado
Vê o veloz corvette a erguer poeira
Que cai quase no mesmo lugar
A continuar poeira
Mesmo que passem dez mil carros
Apenas sentado.
sábado, 30 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
Microépico
Com seus próprios pés o homem segue ao norte. Buscando o parto da criança feral que há de lhe curar o pensamento. Evita as estradas e inventa novas trilhas qual bicho noturno. Onde o Santo Graal? Fraqueza nas pernas e mãos de papel manteiga. Seguir o rio até o útero, rastejar se necessário. Queda, queda. Vendedor de couro, bigodes plenos, poucas palavras, mas um barco até a terra vermelha.
Homem-pai chama os incorpóreos à guerra. Morrer necessário. Renascer amamentado pelas esplêndidas tetas de Hathor. Cabelos novos em tranças, lutar contra os dentes-amarelos e seus líquidos velozes. Faca no plexo solar inimigo. Três dias de chorar. Um filho na mulher com olhar passarinho, futuro caçador Ninrode.
Volta Arquemênida, unhas vítreas e pele de cobre. Sobre o dorso o dourado. Os vãos detrás dos joelhos cansados, uma cadeira alta, dedos a cachear a barba. Venha doce, pela primeira vez não tenho medo.
Homem-pai chama os incorpóreos à guerra. Morrer necessário. Renascer amamentado pelas esplêndidas tetas de Hathor. Cabelos novos em tranças, lutar contra os dentes-amarelos e seus líquidos velozes. Faca no plexo solar inimigo. Três dias de chorar. Um filho na mulher com olhar passarinho, futuro caçador Ninrode.
Volta Arquemênida, unhas vítreas e pele de cobre. Sobre o dorso o dourado. Os vãos detrás dos joelhos cansados, uma cadeira alta, dedos a cachear a barba. Venha doce, pela primeira vez não tenho medo.
sábado, 23 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Gawain
Marchemos, oh irmãos
Escudo com escudo
Bronze sonante espanta o medo
Sob estes elmos não há homens
Apenas Ares
Como nós, hoje o céu é vermelho
E do campo nascem novos rios infernais
Inundados de sangue, suor, lágrimas e urina
Rios de fogo, esquecimento, sofrer e morte
Oh Morte sublime deusa que a todos iguala!
Cavaleiros, avancem com total carga!
Ardem sob as lorigas e cotas
Lanças e ferros rompem ferro e carne
Sob as nuvens de setas assoviantes
Nossos inimigos habitam cá dentro
No titubear da alma
Estes irmãos e amantes, dançarinos
São nobres companheiros peregrinos
Na escada para a eternidade
Oh Morte sublime deusa que a todos iguala!
Escudo com escudo
Bronze sonante espanta o medo
Sob estes elmos não há homens
Apenas Ares
Como nós, hoje o céu é vermelho
E do campo nascem novos rios infernais
Inundados de sangue, suor, lágrimas e urina
Rios de fogo, esquecimento, sofrer e morte
Oh Morte sublime deusa que a todos iguala!
Cavaleiros, avancem com total carga!
Ardem sob as lorigas e cotas
Lanças e ferros rompem ferro e carne
Sob as nuvens de setas assoviantes
Nossos inimigos habitam cá dentro
No titubear da alma
Estes irmãos e amantes, dançarinos
São nobres companheiros peregrinos
Na escada para a eternidade
Oh Morte sublime deusa que a todos iguala!
domingo, 10 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
O Eremita
O homem só é o mais forte
Nada a ganhar ou perder, sua vida não é um comércio...
O homem só é o mais maleável
Pois sua solidão também exclui suas opiniões
O homem só é feito de água
Em um mundo ardendo em chamas
O homem só é o mais social
Pois ele vê em cada outro um homem só, e a todos ama.
Nada a ganhar ou perder, sua vida não é um comércio...
O homem só é o mais maleável
Pois sua solidão também exclui suas opiniões
O homem só é feito de água
Em um mundo ardendo em chamas
O homem só é o mais social
Pois ele vê em cada outro um homem só, e a todos ama.
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