Vou com algo meu a ficar
e algo seu aqui no lugar
dá sentido em continuar
Aclimação, sexto andar
Estrada:sólido da saudade
contínuo chegar à cidade
levado pela necessidade
para voltar, em verdade
para me reencontrar
melhor no seu olhar
até lá, hotel: só esperar
Aclimação, sexto andar
terça-feira, 29 de setembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
4/4
Homem e mulher coordenados
Mãos se amornando
Olhos nos olhos nos olhos
Pessoa dentro da pessoa
Uma respiração
Pouco importa que pés tropecem
Falte a técnica e sobre acanhamento
Além da música
Em absoluto silêncio, dancemos
Mãos se amornando
Olhos nos olhos nos olhos
Pessoa dentro da pessoa
Uma respiração
Pouco importa que pés tropecem
Falte a técnica e sobre acanhamento
Além da música
Em absoluto silêncio, dancemos
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
A juventude é um lugar estranho

Os Doors foram os músicos mais marcantes da minha adolescência. O ano era 1992 ou 93, e eu fiquei órfão do Guns ‘n’ Roses, até então minha banda preferida. O grunge estava no ar e como aquilo me irritava. Achava mal tocado e com letras toscas. Simplesmente não conseguia entender o Nirvana. Então meus ouvidos se voltaram para o passado, Beatles, Stones, Lennon, Hendrix passaram a ser minha dieta musical.
Então “descobri” os Doors. Por incrível que pareça, não foi no hype do filme de Oliver Stone, mas na onda saudosista das rádios rock, especialmente a saudosa Alternativa. O que era aquele som?!? Rock-blues, psicodélico-jazzístico, flamenco, bossa nova e etc.....e mais etc. O passo seguinte foi prestar atenção nas letras e aquilo sim me levou além. Como a todo pretendente a intelectual (risos e mais risos), o bizarro e belo das palavras parecia o antídoto perfeito para as malditas camisas de flanela. Poesia de verdade, William Blake e Rimbaud para as massas.
Virei fã como só um adolescente pode, colecionando tudo que era publicado, tentava reproduzir as músicas no meu violão. Sim meus amigos, aquilo para mim tinha virado uma maneira de ver o mundo, com todos os seus símbolos arcanos míticos poéticos e etc. Meus amigos ainda têm algumas fotos minhas usando calças justíssimas, cabelo cheio como um escovão e os indefectíveis óculos ray-ban, as quais são guardadas, penso eu, para uma futura chantagem......
Ainda hoje adoro a banda e tudo o mais, mesmo só os escutando muito ocasionalmente. O que aconteceu? Algum desencanto ou uma nova moda? Nada demais, apenas cresci e vi quem eles realmente eram; uma boa banda com a sorte de parar no auge devido à morte do cantor, o qual era apenas um talentoso artista que se perdeu nas drogas, principalmente o álcool, bem se diga.
Mas os homens morrem e a obra vive. Sintam-se jovens pela primeira vez em suas vidas e escutem Doors.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
poesia de novo
Olho seu rosto e em mim crescem flores
Escuto sua voz e o mundo fica nu
Sinto seu cheiro e avermelha a alvorada
Toco-lhe os dedos e mil sóis dançam
Beijo sua boca e estou só
---///---
sento nas escadarias da igreja pra rir do mundo
olho crianças brincando de amarelinha
e choro de tanta beleza inconseqüente
Escuto sua voz e o mundo fica nu
Sinto seu cheiro e avermelha a alvorada
Toco-lhe os dedos e mil sóis dançam
Beijo sua boca e estou só
---///---
sento nas escadarias da igreja pra rir do mundo
olho crianças brincando de amarelinha
e choro de tanta beleza inconseqüente
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
No espírito de Brisa do Bandeira
Vamos fugir pra longe.
Ficam aqui meus preconceitos
Meus medos e a velhice futura
Meu sujeito antes oculto.
Fica aqui teu casamento
Tua timidez de olhos calados
E todo o tempo perdido.
Lá no longe o desconhecido?
Aqui é também.
Lá somos nós.
Vamos fugir pra longe.
Ficam aqui meus preconceitos
Meus medos e a velhice futura
Meu sujeito antes oculto.
Fica aqui teu casamento
Tua timidez de olhos calados
E todo o tempo perdido.
Lá no longe o desconhecido?
Aqui é também.
Lá somos nós.
Vamos fugir pra longe.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Layla

Na eferverscente Londres dos anos 60, a musa absoluta foi Patty Boyd. A atriz foi a inspiração para dois grandes bardos, George Harrison e Eric Clapton.
O beatle compôs para ela I need you, Something e o Deus da guitarra fez Layla e Wonderful Tonight.
Não vou entrar no aspecto “revista contigo” deste caso. Quem quiser saber sobre, jogue no google. O que importa é que a mulher era linda e a música agradece.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
dois poemas
Menininha cresceu
Já não gosta de mim
Da poesia se encheu
No amor pos fim
Pudera ser menino
De papo legal
De reflexo felino
E corpo de sal
Surfista de alma fria
Seguro e tatuado
Sem esta melancolia
De homem calejado
Tão só ao ver
Menininha crescer
---//---
nós dois aqui novamente
se desencontrando na canção
o acorde sai intermitente
escorregou a minha mão
mesmo desajeitada
a balada sai do meu peito
da ferida escancarada
desta vida sem jeito
erro a batida mais uma vez
desafino no refrão
a voz não sabe o que fez
tampouco o violão
que gaguejou teu nome
na hora de solar
nem ligou pro vexame
desavergonhado a chorar
no palco iluminado
a música mais brega
o bolerão rasgado
de pura entrega
Já não gosta de mim
Da poesia se encheu
No amor pos fim
Pudera ser menino
De papo legal
De reflexo felino
E corpo de sal
Surfista de alma fria
Seguro e tatuado
Sem esta melancolia
De homem calejado
Tão só ao ver
Menininha crescer
---//---
nós dois aqui novamente
se desencontrando na canção
o acorde sai intermitente
escorregou a minha mão
mesmo desajeitada
a balada sai do meu peito
da ferida escancarada
desta vida sem jeito
erro a batida mais uma vez
desafino no refrão
a voz não sabe o que fez
tampouco o violão
que gaguejou teu nome
na hora de solar
nem ligou pro vexame
desavergonhado a chorar
no palco iluminado
a música mais brega
o bolerão rasgado
de pura entrega
sábado, 12 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Mestre

Para falar de Alan Moore tenho que fazer um pedido: Esqueçam as versões cinematográficas das obras do homem. Mesmo Watchmen está anos-luz aquém dos quadrinhos.
V de Vingança – George Orwell levado ao extremo na era Thatcher.
Piada Mortal – Gostaram do Coringa do filme? Aqui está a raiz.
Watchmen – Pela primeira vez, heróis são retratados de maneira realista.
Liga Extraodinária – Crossover entre personagens literários vitorianos.
Do Inferno – Escrever sobre Jack Estripador de maneira inovadora.
Lost Girls – Erotismo pode ser arte.
Isso fora as séries mensais do Monstro do Pântano, Miracleman, ABC Comics, etc....em qualquer delas pode-se provar porque o bruxo inglês é um dos maiores escritores vivos.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
mais um poeminha antigo..............
Serei eternamente injusto com minha amada
Pois vejo nela uma beleza que sei ninguém ter
Dela espero a virtude de todos os santos
E que apenas o Todo-Poderoso tem
E de cada defeito vejo menos que o nada
E invejo o vento apenas por ser
Ele que lhe invade os mantos
E o vento é ninguém
E pelo amor ser tudo
Que dá sentido ao nada
Serei sempre injusto
Com a minha amada
Pois vejo nela uma beleza que sei ninguém ter
Dela espero a virtude de todos os santos
E que apenas o Todo-Poderoso tem
E de cada defeito vejo menos que o nada
E invejo o vento apenas por ser
Ele que lhe invade os mantos
E o vento é ninguém
E pelo amor ser tudo
Que dá sentido ao nada
Serei sempre injusto
Com a minha amada
terça-feira, 8 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
?
O mundo nasce e morre em meus sentidos os cinco e mais este que pensa pensar
A ética, a moral, Hegel e Kant são apenas palavras em idiomas estranhos
E nesta indefinição, onde a busca dói e a frustração é gêmea siamesa
O único alívio está no abandono das pequenas coisas que sei falsas
Como os sorrisos das donas dos bordéis e o brilho dos cartões de crédito
Falar de amor! Ora, o que é o amor além da troca de sinais entre parceiros de carteado?
Sinais que só fazem sentidos no jogo pelo jogo e no que se perde e ganha nele
Fora disso é amizade ou fornicação
Mas nisso que digo já não há reclamação ou desalento
Pelo oposto, existe uma profunda comunhão com este desconhecido
Que um chama de Deus, outro Destino e aquele de Realidade
Mas na minha boca sai somente: desconhecido
Que me é intimo, pois me desconheço também!
A ética, a moral, Hegel e Kant são apenas palavras em idiomas estranhos
E nesta indefinição, onde a busca dói e a frustração é gêmea siamesa
O único alívio está no abandono das pequenas coisas que sei falsas
Como os sorrisos das donas dos bordéis e o brilho dos cartões de crédito
Falar de amor! Ora, o que é o amor além da troca de sinais entre parceiros de carteado?
Sinais que só fazem sentidos no jogo pelo jogo e no que se perde e ganha nele
Fora disso é amizade ou fornicação
Mas nisso que digo já não há reclamação ou desalento
Pelo oposto, existe uma profunda comunhão com este desconhecido
Que um chama de Deus, outro Destino e aquele de Realidade
Mas na minha boca sai somente: desconhecido
Que me é intimo, pois me desconheço também!
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Mais poemas velhos
Tira meus olhos de mim
só enxergarei com o coração
e cada coisa será como é
além do vermelho e do violeta
/
acho tão bonito
a gente andando lado a lado
paralelas juntas no infinito
final feliz nunca alcançado
/
em minha língua pesa a ausência
e as palavras caem desajeitadas
caminhando, as moedas no bolso
acham o seu devido lugar
/
a poesia se encontra em todo lugar
o que nos falta é saco
para procurar
/
já te vejo bem velhinha
dando de comer aos cachorrinhos
tirando o pó da memória
endireitando os quadros na parede
/
no sonho Nasrudin e Boddhidarma
conversavam e riam
e eu, embora abrisse bem os ouvidos
não entendia palavra
/
a saudade é abrir um pacote de balas
vazio, embora ainda esteja forte o aroma
só enxergarei com o coração
e cada coisa será como é
além do vermelho e do violeta
/
acho tão bonito
a gente andando lado a lado
paralelas juntas no infinito
final feliz nunca alcançado
/
em minha língua pesa a ausência
e as palavras caem desajeitadas
caminhando, as moedas no bolso
acham o seu devido lugar
/
a poesia se encontra em todo lugar
o que nos falta é saco
para procurar
/
já te vejo bem velhinha
dando de comer aos cachorrinhos
tirando o pó da memória
endireitando os quadros na parede
/
no sonho Nasrudin e Boddhidarma
conversavam e riam
e eu, embora abrisse bem os ouvidos
não entendia palavra
/
a saudade é abrir um pacote de balas
vazio, embora ainda esteja forte o aroma
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Poeminhas antigos
Tem coisas que a vida não sara
Mas tem a fé que perdura
Porque a vida, essa não para
e ela é uma estrada dura
/
a mão que te cicatriza
é a mesma que realiza
é a mesma que abala
é a mesma que embala
é a mesma que embora
é a mesma que agora
/
menina machucada
nos jogos de amor
nunca ganhou nada
nem sequer uma flor
menina emprenhada
impregnada pelo senhor
de maneira tão gentil
morde, rasga e finge
menina boa e servil
que não se restringe
só espera o dia
que nunca atinge
esta noite fria
onde ela dorme
abraçada à filha
amor enorme
perdida ilha
entre mares hostis
sonha um príncipe
que a livre dos vis
que a emancipe
das garras dos homens
das mentiras dos jornais
deste jogo de miragens
que a ame e nada mais
Mas tem a fé que perdura
Porque a vida, essa não para
e ela é uma estrada dura
/
a mão que te cicatriza
é a mesma que realiza
é a mesma que abala
é a mesma que embala
é a mesma que embora
é a mesma que agora
/
menina machucada
nos jogos de amor
nunca ganhou nada
nem sequer uma flor
menina emprenhada
impregnada pelo senhor
de maneira tão gentil
morde, rasga e finge
menina boa e servil
que não se restringe
só espera o dia
que nunca atinge
esta noite fria
onde ela dorme
abraçada à filha
amor enorme
perdida ilha
entre mares hostis
sonha um príncipe
que a livre dos vis
que a emancipe
das garras dos homens
das mentiras dos jornais
deste jogo de miragens
que a ame e nada mais
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